An Education

large ynAn Education” é um filme inglês (2009), baseado no livro autobiográfico da jornalista Lynn Barber. Ambientado em uma Inglaterra de 1961, traz como protagonista Jenny Millar (Carey Mulligan), no papel de uma adolescente de 16 (dezesseis) anos e filha única, que vive com os pais na periferia de Londres. Cursa o equivalente ao nosso ensino médio e sua vida consiste, basicamente, em ir à escola, às aulas de Violoncelo e permanecer em casa estudando. Seus pais sonham que ela ingresse em Oxford, onde, como eles dizem, ela poderá “ser alguém na vida”. Mas Jenny, como adolescente, também tem seus desejos e preferências pessoais. Gosta de estudar francês e quer conhecer Paris, embora seja sempre repreendida pelo pai por isso, sob o argumento de que isto não a levará a lugar algum, principalmente pelos franceses não gostarem dos ingleses.

Logo no início do filme, no momento em que Jenny retornava para sua casa debaixo de chuva, após uma aula de música, ela encontra David Goldman (Peter Sarsgaard). Este, do interior de um belo automóvel (Bristol), oferece-lhe carona para ela não danificar o Violoncelo que está segurando. A garota aceita e isto não estava previsto nos planos de seus pais, nem nos dela. É que aquela carona nunca mais terminou, pois marcaria para sempre a vida da adolescente.
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David tem o dobro da idade de Jenny e passa a ter relacionamento amoroso com ela. Mostra-lhe um mundo diferente dos muros da escola ou das paredes de sua casa. Leva-a para teatros, concertos de música clássica, leilões de obras de arte, jantares em restaurantes sofisticados, e aquilo parece ser muito mais interessante para Jenny do que estudar, mesmo que seja em Oxford.

David, muito persuasivo, não encanta apenas Jenny, mas também os pais dela. Diz para eles que tem amigos influentes em Oxford, e isso irá abreviar o caminho dela para ingressar na Universidade. Com isso, o relacionamento recebe aprovação imediata dos pais, que, claro, querem o melhor para a filha.
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Contudo, aos poucos David vai se revelando. Ele não é exatamente aquilo que dizia e aparentava ser. Muito pelo contrário, tem outros compromissos pessoais e familiares, omitidos a Jenny e aos pais dela. Tampouco contava com amigos influentes em Oxford. Entretanto, quando isso é descoberto, já é tarde. Jenny já havia abandonado o ensino regular, e Oxford, agora, era um sonho impossível.

Dentre os vários temas que o filme traz, pode se focar na relação entre pais e filhos. De modo geral, os pais querem o melhor para seus filhos; buscam protegê-los de todos os perigos e adversidades da vida. Até aí não há problemas. Há nisso até certa dose de instinto. No entanto, alguns pais se esquecem da individualidade dos filhos. Filhos não são, nem devem ser, versões melhoradas dos pais. Tampouco devem ser colocados numa “bolha” separada e distante do mundo real para não sofrerem, até porque essa luta será em vão.

Importante nesse aspecto é a confissão do pai de Jenny não só para ela, mas para si mesmo, quando diz: “Jenny, toda minha vida eu tive medo, e não queria que você também tivesse. Por isso, queria que você fosse para Oxford”.

No filme, Jenny vai ter que aprender a viver por si só. Ter que reconstruir sua vida a partir de desilusões. Somente assim ela desenvolve seus valores e formata seus próprios sonhos, e não os sonhos dos pais. Mais do que isso: somente a partir daí que ela passa a lutar com todas suas forças para realizar o que ela quer.
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Voltando à questão da educação, mais precisamente da educação dos filhos por parte dos pais, apesar do expressivo número de manuais sobre o assunto, isto é sempre um desafio, repleto de dúvidas, incertezas, possibilidades.

Neste aspecto, talvez seja mesmo melhor seguir as palavras do filósofo Dinamarquês Sören Kierkegaard, a saber: “a mãe amorosa ensina o filho a andar sozinho. Fica a uma certa distância dele, de onde não pode segurá-lo, mas estende os braços. Imita os movimentos da criança, e, quando ela cambaleia, inclina-se rapidamente como se fosse ampará-la, para que a criança pense que não está andando sozinha…E mais: o rosto dela a chama como uma recompensa, um encorajamento. Assim, a criança anda sozinha, com os olhos fitos no rosto da mãe, não nas dificuldades do caminho. Apóia-se nos braços que não a estão segurando, e constantemente procura o refúgio do abraço materno, sem suspeitar que, ao mesmo tempo em que enfatiza o quanto precisa dela, está provando que pode viver sem ela, porque anda sozinha”.

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