Iron Man 3

iron-men-3-wallpaper-300x188“Homem de Ferro 3” começa com a seguinte frase do protagonista: “Um homem certa vez disse: ‘nós criamos nossos próprios demônios’.”

Não há dúvida de que se trata de um filme de ação com tom maniqueísta (bem x mal). Apesar disso, tem vários pontos que ensejam reflexão e não devem passar despercebidos. A frase acima já anuncia isto.

Nesse “episódio”, Tony Stark – o Homem de Ferro – irá enfrentar o Mandarim. E, claro, após uma série de lutas e explosões, o mal sucumbirá. Isto, porém, irá ficar aqui num plano secundário, não obstante essa batalha, igualmente, contenha componentes interessantes.
No filme, Tony Stark está vivendo uma crise existencial. Não sabe ao certo quem é e qual o propósito de sua vida. Isto o leva a uma série de crises de ansiedade, insônia, foco exclusivo e excessivo no trabalho, e dificuldade em concretizar um relacionamento com Pepper Potts, sua namorada.

Destaca-se neste ponto a cena em que Pepper comparece na mansão de Tony para um jantar de ambos, mas quem a recebe é a armadura, enquanto Tony fala com ela de seu laboratório. Ou seja, ele não está ali; não está com ela. Está apenas de corpo presente, e não por inteiro. Está em crise.
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O filme avança e a mansão de Tony vem a ser atacada pelo Mandarim. Atacada, não! Destruída! Todavia, na prática, não foi o Mandarim quem fez aquilo. Foi o próprio Tony. Afinal, foi ele quem em rede internacional forneceu seu endereço ao inimigo. O que ele esperava?

A cena, portanto, é sintomática. Literalmente, Tony pôs sua “casa” por água abaixo, assim como sua coleção de carros e armaduras. Como ele disse: “nós criamos nossos próprios demônios”.

Na sequência, Tony, do interior de uma de suas armaduras, é expelido para o distante Estado do Tennessee. Sucede que, ao aterrissar, é a máquina (Jarvis) quem diz para Tony que precisa dormir e desmonta. Agora Tony está sem casa, sem carros, sem armaduras. É ele consigo próprio, arrastando o que sobrou.

Nessa fase, ele se depara com um garoto (pré-adolescente) que passa a ajudá-lo, inclusive lhe questionando quem ele realmente é. O garoto parece representar o próprio Tony em sua dimensão inconsciente; algo como um retrospecto necessário para a reconstrução de sua personalidade adulta. Curioso é que Tony passa até a usar boné e um relógio – símbolo do tempo – de criança, recebidos do garoto.

Bem. O fato é que o garoto pergunta, insistentemente, a Tony quem ele é. E, após algumas evasivas, o adulto passa a dizer que é apenas um “mecânico”; que “concerta coisas”. Diante disso, o garoto sentencia: “se você é um mecânico, construa alguma coisa!” É o que Tony faz.
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Já diante do inimigo, com novas “ferramentas” construídas, e após ver seu relógio de criança destruído, Tony vai retomando aos poucos sua armadura, cujas peças vêm gradativamente da casa do garoto. Assim, novamente portando sua armadura, porém agora sobre outra perspectiva, ele passa a enfrentar o inimigo. Entretanto, desta vez ele não está só. Tem ao seu lado o Coronel James Rhodes e a própria Pepper. Quer dizer: alguns inimigos que criamos – e foi o próprio Tony quem, indiretamente, criou o Mandarim anos antes, ao rejeitar o cientista Aldrich Killian, como mostra o filme – não conseguimos enfrentar sozinhos.

Outra cena a registrar nesse enfrentamento, diz respeito ao fato de Tony retomar o controle de suas 42 armaduras no confronto. É como se cada armadura fosse apenas uma faceta dele em sociedade, mas sem que ele perca sua essência. Ele tem controle total sobre suas armaduras, inclusive as chama pelos sugestivos nomes, que vão de “peixe dourado” a “coração partido”.

Outro detalhe nesse embate final consiste no fato do golpe letal no inimigo ser dado por Pepper, e não por Tony. Aliás, para conseguir isto, Pepper se vale da força que lhe foi dada pelo próprio inimigo ao submetê-la àquela situação. Algo como fortalecer-se na adversidade.

Já no fim do filme, Tony faz algumas reflexões. Primeiro, ele conclui não precisar mais de um “coração de ferro” para se manter vivo. De agora em diante pode se relacionar emocionalmente com as pessoas, inclusive com Pepper. Segundo, conclui que suas armaduras não passavam de um “casulo”, onde ele se escondia do mundo. Depois, após determinar que Jarvis destrua todas as armaduras, mediante o “protocolo – começar do zero”, arremata: “agora eu sou um novo homem! Eles podem me tirar minha casa, meus truques e brinquedos, mas uma coisa eles não podem levar de mim; eu sou o Homem de Ferro!”

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