Taxi Driver

taxiposter-165x300Taxi Driver é um filme estadunidense de 1976, dirigido por Martin Scorsese, com trilha sonora de Bernard Herrmann. Tem em seu elenco Robert De Niro, Jodie Foster e Cybill Shepherd. Foi vencedor do prêmio “Palma de Ouro”, em Cannes.

O enredo traz Travis Bickle (De Niro), que, após ser dispensado do Corpo de Fuzileiros Navais, ruma para uma Nova York decadente dos anos 70, onde trabalha como motorista de táxi. Travis vive uma crise existencial em meio ao caos urbano da metrópole, cujo subúrbio está repleto de miséria, drogas, violência, prostituição. Travis é solitário, antissocial, alienado, revoltado e sofre de insônia. Seu trabalho lhe permite ganho necessário para sua subsistência, mas lhe falta algo. Algo que ele não sabe bem o que é, tampouco tem consciência nítida disso, porém isto lhe angustia.

Em busca de um sentido para sua vida, primeiro, ele tenta se relacionar com Betsy (Cybill Shepherd), que trabalha no comitê eleitoral do senador Palantine, candidato à presidência dos EUA. A aproximação começa bem, com receptividade de Betsy. Mas a pouca experiência de Travis com as mulheres dificulta o relacionamento, sobretudo pelo local para onde ele a leva, logo no primeiro encontro.

Em certa passagem, o senador Palatine adentra ao táxi de Travis, o qual fica eufórico, fazendo-lhe esquecer daquele submundo, que ele mesmo nomina como “escória”. Travis tenta manter diálogo com o senador, mas a conversa não flui pela dificuldade do taxista em expor de maneira conexa suas ideias. O senador minimiza a situação; apenas tenta, de maneira sutil, angariar mais um voto. O fato não passa despercebido por Travis, o que lhe causa mais revolta.

Noutra ocasião, Travis recebe como passageira a prostituta mirim, Íris Steensma (Jodie Foster). Junto com Íris está seu “cafetão”, o qual se dirige a ela com hostilidade. A cena causa indignação em Travis pela frieza das relações humanas.

O filme segue com Travis fugindo da realidade; mentindo para si mesmo. Isto fica claro na carta em que ele escreve para seus pais e afirma ter um bom trabalho e ser muito feliz. Como prova do que diz, envia com a carta certa quantia em dinheiro. Dinheiro que ele sequer sabe como gastar, diante da grande lacuna que é sua vida.
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Nessa busca de sentido, Travis decide ter poder, ter voz, ser respeitado. Adquire, então, várias armas de fogo, dentre elas uma pistola magnum 44, que passa a esconder debaixo de sua jaqueta. É neste momento que acontece uma das falas mais conhecidas do cinema, e talvez porque as pessoas se identifiquem com ela. Travis, sozinho em seu quarto, olha para si diante do espelho e, simulando um confronto de rua, em atitude de autoafirmação, indaga-se: “are you talking to me?” (você está falando comigo?); e, repete: “are you talking to me?” Na sequência, com extrema rapidez, saca as armas e aponta para seu “alter ego”, dominando a situação. Há quem diga que a cena foi improvisada por De Niro.

Mais adiante, dois acontecimentos vão dar outro contorno ao filme. Um em relação ao político profissional; outro, em relação à prostituta mirim. Travis, tentando justificar e comprovar para si próprio sua existência, investe-se da figura de justiceiro e decide praticar aquilo que ele considera uma limpeza no mundo que o cerca.
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O final do filme traz uma cena, no mínimo, de múltiplas interpretações, o que não será aqui especificado. Vale a pena, contudo, prestar atenção se aquilo, de fato, existiu ou se foi mero devaneio do personagem. E mais: qual o significado dessa suposta ambiguidade no roteiro?

A par de tudo isso, “Taxi Driver” apresenta algumas curiosidades: a)- numa das cenas, o próprio Martin Scorsese figura como passageiro de Travis; b)- durante certo período das gravações, De Niro estava filmando “1900”, na Itália, o que lhe exigiu vários deslocamentos entre EUA e Europa; c)- a atriz que interpretou a amiga de Íris era mesmo prostituta, e auxiliou Foster na formação de sua personagem; d)- Foster, apesar de contar com apenas treze anos de idade na ocasião das filmagens, já havia participado de vários episódios de séries de TV, como Kung Fu, quando atuou ao lado de David Carradine. Já gozava, portanto, de certo prestígio como atriz ao ser escolhida para o papel.

“Taxi Driver”, em síntese, é um filme tenso e de elevado enfoque psicológico, bem ao estilo Scorsese, que prende a atenção do início ao fim.

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