Sidarta – Hermann Hesse

sidarta hermann hesseO autor de Sidarta é Hermann Hesse (1877-1962), escritor renomado, vencedor do prêmio Nobel (1946) e ícone da contracultura. Hesse nasceu na Alemanha em uma família de missionários protestantes. Contudo, ainda jovem, desistiu de ser pastor, como queriam os pais, e seguiu para a Suíça em busca de seu próprio caminho.

Em 1911, Hesse esteve na Índia, passando também por China e Indonésia. A viagem teve por objetivo conhecer a religiosidade e a filosofia do Oriente. Hesse não encontrou exatamente o que esperava. De qualquer modo, a experiência lhe inspirou a escrever livros como Sidarta, publicado em 1922.

O Sidarta de Hesse não se confunde com o Buda histórico, Siddhartha Gautama (562-483 a.C), embora existam pontos de semelhança entre os ambos. Os dois nasceram em famílias abastadas, receberam educação esmerada e buscavam sabedoria, liberdade, felicidade, liberdade, Iluminação. Mas as semelhanças se encerram por aí. Em certa passagem da narrativa, Sidarta se encontra e dialoga com o Siddharta Buda. Na ocasião, ficam nítidos os pontos de divergência entre eles.

Para Sidarta não há doutrina, ensinamento, fórmula ou manual de instruções para se atingir a iluminação. Esta somente se dá a partir da experiência de cada um, numa sucessão de erros e acertos, e mediante a observação atenta do mundo e da vida. Isto fica nítido quando Sidarta diz a Siddharta Buda: “ó Augusto…ninguém chega à redenção mediante doutrina! A pessoa alguma, ó Venerável, poderás comunicar e revelar por meio de palavras ou ensinamentos o que seu deu contigo na hora da tua iluminação” (p. 50).

É sob esta perspectiva, portanto, que o livro narra a saga do jovem Sidarta até sua velhice em busca, como ele mesmo diz, de “conhecer o sentido e a essência do eu, para se desprender dele e superá-lo” (p. 54).

Nessa peregrinação, Sidarta passa pelas mais diversas experiências. Convive com os Samanas, torna-se rico comerciante e desfruta dos prazeres mundanos, apaixona-se por Kamala, vive a paternidade, conhece o balseiro Vasudeva etc., para, finalmente, de maneira inusitada e simples, encontrar o que procurava.

O romance Sidarta não é uma apologia às doutrinas orientais, como se poderia parecer numa visão apressada. É bem verdade que há o emprego de alguns conceitos de tradições orientais ao longo do texto, como Átma, Om, Nirvana, Mara, Maia e Sansara. Mas isto é apenas contextual. Para Sidarta: “a sabedoria não pode ser comunicada. A sabedoria que um sábio quiser transmitir sempre cheirará a tolice”. “Os conhecimentos podem ser transmitidos, mas nunca a sabedoria.” (p. 164-165).

Sidarta de Hesse não é um líder espiritual. Ele não tem seguidores, tampouco segue alguém. Sidarta é apenas alguém que procura paz de espírito e descobre que para isto deve trilhar um caminho; único e pessoal.

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