Pinturas

 Um olhar atento ao quadro de Picasso – “Mulher Chorando” (1937) – percebe-se toda a emoção que permeava sua obra.

  “Jamais descrevemos a realidade; o que descrevemos é o nosso modo de ver a realidade. Além de não descrevermos a realidade, porém o nosso modo de ver a realidade, essa mesma realidade determina o nosso pensamento e, ao descrevermos a realidade, nossa descrição da realidade será determinada (i) pela nossa pré-compreensão dela (= da realidade) e (ii) pelo lugar que ocupamos ao descrever a realidade (= nosso lugar no mundo e lugar desde o qual pensamos).” Eros Grau  (“in” Ensaio e discurso sobre a Interpretação/Aplicação do Direito).

A imagem é tensa. Evoca diversos sentimentos paradoxais. Há a angústia e a impotência da protagonista. Ao mesmo tempo, há esperança e resiliência nela. O cenário reforça esta impressão. Poucas cores, nenhum verde e uma só mulher, com sérias restrições de locomação, o que eleva o sentimento de compaixão por aquele ser humano. O ambiente rural também revela um certo paradoxo.

Na tela acima, de um lado, estão várias pessoas, as quais, de alguma forma, estão unidas. Entre tais pessoas é possível ver as várias dimensões da vida. Vê-se a maternidade, a primeira infância, a juventude, a velhice; a dor, a felicidade. 

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